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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Felicidade Clandestina - Clarice Lispector

Boa tarde gente animada e rica *-*

Fazia tempo que não lia nada da escritora Clarice e como toda blogueira é assim: leu e compartilha, aqui estou eu compartilhando com vocês o que eu li ontem e confesso ter achado lindoooo ....

Felicidade Clandestina

 Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. 
 Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”. 
 Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
 Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho , de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. 
 Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. 
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. 
 Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo. 
 E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. 
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de  sua casa. Pediu explicações a nós duas. houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! 
 E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser”. Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
 Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. 
 Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. 
 Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. 
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante. 

Sempre que possível compartilharei com vocês os poemas e contos ... 
amor por literatura eu tenho :))

:**

terça-feira, 29 de março de 2016

#Livros Wattpad

Bom dia amores *-*

É, eu viciei nos livros do Wattpad (srrss) e parabenizo todas pelas histórias lindas e incríveis que eu li e pensando nisso, vou compartilhar os que li e gostei muito, (decisão difícil).

E não é divulgação, ok?
Apenas compartilhando gosto literário :p


1 - Da escritora Carla Klem    
2 - Da mesma escritora Carla Klem


3 -  Amei por demais essa história .... 
4 -  História irresistivel ... ainda em andamento no wattpad, mas completo na Amazon

   5 - Este livro não poderia faltar.... 



6 - Da escritora Beatriz Santos9- 

Apenas um Olhar

Não encontrei a capa para destacar aqui
Mas, o nome estão corretos e é linda a história.


7 -  Intenso demais ... ameii  Da escritora Juisantos


Amores são esses os livros que eu amei ... indico e claro que sempre irei postar os livros que leio por lá, apenas divulgando gosto literário .... 
Claro que muitos leitores brigam com os "erros de português" que são encontrado nos livros, mas esse aplicativo super viciante é o inicio para todo escritor, foquem mais na história que está sendo publicada, sejam menos exigentes quanto ao modo de escrever. 
Nós brasileiros temos que dar chances para os escritores brasileiros se destacarem, mostrar o talento para escrita, todos erramos na hora de escrever o PT-BR 
Herrar é umano.

Boa leitura á todos :*
E se quiserem indicar algum livro do Wattpad - ficarei feliz em ler :))

segunda-feira, 7 de março de 2016

Poesia - Um hino aos corações

Bom dia amores *-*

Ficou um pouco atrasada essa postagem, mas hoje vocês conheceram outro poeta brasileiro ele é de Santa Catarina e o livro é de fabricação própria.

Iniciando a semana com poesia para alimentarmos nossa alma não a coisa melhor ...

Fizemos uma troca, ele me deu seu livro e eu lhe enviei o meu... eu como amo poesias (avah), e eu amei as poesias desse livro, claro que minha biblioteca particular amou ganhar outro livro maravilhoso, compartilharei com vocês, apenas duas poesias para conhecerem a obra do autor.

Nome do autor: Ediberto Luiz da Silveira
Livro de bolso: 91 paginas.

A Saudade

Quem pode afirmar,
Com suas palavras,
O que é a saudade?
Com certeza, todo aquele
Que tem do que recordar.
Quem teve uma infância,
Quem teve um mínimo
De vivencia nesta vida
Pode, de um certo modo
Sentir saudade.
Saudade é algo que
Pertence unicamente
Ao ser humano,
É algo que:
Pode nos alegrar ou entristecer,
Dependendo do que 
Se trata essa tal saudade.
Saudade é algo que
Todos ser humano sente,
As vezes dos tempos
De infância
Dos tempos de escola,
Da juventude,
Dos primeiros encontros amorosos.
Todos tem motivos
Para sentir saudades.
E saudade muita vezes nos faz recordar,
De momentos que jamais
Se apagarão de nossa
Memória mental.


E


Quantas vezes

Quantas vezes eu parei pra 
pensar onde errei, onde
acertei, que caminhos devia
ter percorrido, quais os que
tropecei, qual deles me
alegrou mais. Tantas 
perguntas, tão poucos respostas.
Quantas amei, 
quantas odiei. Que motivos
me fizeram perder quem eu 
gostava, que motivos me 
fizeram abandonar quem
gostava de mim... o tempo
passa... e a gente acaba 
percebendo que a vida é
simples e complexa, clara e
misteriosa e que é inútil
entende-la, basta ser vivida.

Iniciando a semana com poesia não a coisa melhor.
:**

sábado, 27 de fevereiro de 2016

A Esperança / Versos Íntimos - Augusto dos Anjos

Booa tarde meus amores *-*

Sabadão de calor insuportável ... nada melhor que poesia, musica e café para animar nosso espirito...

É a primeira vez que posto aqui no blog algumas poesias de Augusto dos Anjos - poeta brasileiro - paraibano.

Lhes apresento dois poemas:

A Esperança

A Esperança ela não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença,
Vão-se os sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, erga o teu grito
Sirva-te a Crença do fanal bendito,
Salva-te a glória no futuro -- avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da Morte a me bradar, descansa!


Versos Íntimos 

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te á lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Poesias me encantam de uma maneira que não explicar :))

:**

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Fernando Pessoa

Booa noite amores *-*
Aah! Faz um tempinho que não posto mais nada de escritores ....
E o nosso poeta de hoje .... Uma breve biografia ....

Fernando Antonio Nogueira Pessoa nascido em Lisboa - foi um poeta, escritor, tradutor português, critico e astrólogo.

"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus".
                                                                         Alberto Caeiro 
Pessoa, por ter sido educado na Africa do Sul, numa escola irlandesa, chegou a ter mais familiaridade com o inglês do que com o português, ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma.
 Enquanto poeta, escreveu sobre múltiplas personalidade - heterônimos - como Ricardo Dias, Alvaro de Campos e Alberto Caeiro. Pessoa, inventava poetas inteiros.

 Sua infância foi marcada por perdas, aos cinco anos perdeu o pai com tuberculosa e no ano seguinte o irmão, logo sua mãe foi obrigada a leiloar a mobília e muda-se para uma casa modesta. E nesse período de perdas que Fernando demonstra seu primeiro heterônimo, Chevalier de Pas, nesse mesmo ano escreve seu primeiro poema, logo sua mãe se casa novamente e eles mudam para Africa do Sul, onde passa a maior parte da juventude e recebe educação inglesa. E desde cedo, ele vinha demonstrando seu talento pela literatura.

 Em 1901 é aprovado no primeiro exame escolar e escreve seu primeiro poema em inglês. No mesmo ano sua irmã de anos morre. E no mesmo ano partem de volta á Lisboa, para um ano de férias. E na capital portuguesa nasce o quarto filho do segundo casamento de sua mãe e nessa época escreve o poemas: 
Quando ela passa
Quando eu me sento à janela
P'los vidros qu'a neve embaça
Vejo a doce imagem d'elia
Quando passa... passa.... passa...

N'esta escuridão tristonha
Duma travessa sombria
Quando aparece risonha
Brilha mais qu'a luz do dia.


                                                                                                                                                                       Quando está noite ceifada
E contemplo imagem sua
Que rompe a treva fechada
Como um reflexo da lua,

Penso ver o seu semblante
Com funda melancolia
Qu'o lábio embriagante
Não conheceu a alegria

E vejo curvado à dor
Todo o seu primeiro encanto
Comunica-mo o palor
As faces, aos olhos pranto.

Todos os dias passava
Por aquela estreita rua
E o palor que m'aterrava
Cada vez mais s'acentua

Um dia já não passou
O outro também já não
A sua ausência cavou
Ferida no meu coração

Na manhã do outro dia
Com o olhar amortecido
Fúnebre cortejo via
E o coração dolorido

Lançou-me em pesar profundo
Lançou-me a mágoa seu véu:
Menos um ser n'este mundo

E mais um anjo no céu.
Depois o carro funério
Esse carro d'amargura
Entrou lá no cemitério
Eis ali a sepultura:

Epitáfio.

Cristãos! Aqui jaz no pó da sepultura
Uma jovem filha da melancolia
O seu viver foi repleto d'amargura
Seu rir foi pranto, dor sua alegria.

Quando eu me sento à janela
P'los vidros qu'a neve embaça
Julgo ver imagem dela
Que já não passa... não passa.
(Liiiindaaaa) *o*

Tendo que dividir a atenção da mãe com os filhos do segundo casamento e o padrasto, Pessoa, se isola, proporcionando assim momentos de reflexão.
 Em 1905, regressa definitivamente á Lisboa deixando a mãe, padrastos e irmãos em Durban. Dois anos mais tarde, sua avó com quem morava, morre deixando-lhe uma pequena herança e ele monta uma pequena tipografia. 
 Em 1915 participou da revista literária Orpheu, essa revista lançou apenas dois de seus poemas, na qual Pessoa publicou como Alvaro de Campo e no segundo volume Mario de Sá-Carneiro. 
 Em 1935, Pessoa morreu, aos 47 anos com cirrose hepática.

 OBS: Antes de terminar o poste, falando sobre o legados que Pessoa deixou, uma breve observação, na sexta-feira de carnaval, lembro que liguei a TV no canal cultura e justamente naquele horário ia iniciar um programa de literatura e o assunto era Fernando Pessoa e a professora da USP ou UNESP (não me recordo), estava explicando sobre a vida dele, eu sempre o admirei, admirei suas poesias e o que minha professora falava, foi dito: para você entender os poemas de Pessoa, você tem que conhecer um pouco da vida dele, muitos de seus poemas fala sobre Portugal, o poema acima Quando Ela Passa, se ler sobre á morte de sua irmã, entenderá do que o poema se trata ... Fico até sem palavras ... Mas é perfeito, belo e maravilhoso suas poesias. 
 Minha professora, costumava dizer que eu escrevia como Fernando Pessoas, com sentimentos, com a alma, conhecendo-me você saberia o significado de cada palavra em meus poemas, claro, um elogio para minha pessoa, não falarei que escrevo como ele, pois cada escritor tem seu jeito de escrever, eu sou apenas uma admiradora desse magnifico escritor.... 

 Agora para seu Legado :)))

 Pode se dizer que a vida do poeta foi dedicada e a criar, criou outras vidas através dos seus heterônimos. Alguns críticos questionam se Pessoa realmente teria transparecido seu verdadeiro eu, ou se tudo não passou de um produto. O poeta e crítico brasileiro descreve Pessoa como o enigma em pessoa. Escreveu sempre, desdo os sete anos até seu leito de morte. Importava-se com a intelectualidade do homem, e pode-se dizer que sua vida foi uma constante divulgação da língua portuguesa, como nas palavras de seu heterônimo Bernardo Soares: 

 A minha pátria é a língua portuguesa:
Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palacio..." E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes - tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é - não - a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d'aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

Pessoa se interessava pelo Ocultismo e Misticismo. 
"o poeta é um fingidor
finge tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente".
                                               Fernando Pessoa

Seus heterônimos são admiráveis, dentre os três o quarto Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego, por ter uma semelhança com Fernando e não possuir uma personalidade muito característica, então Bernardo é um semi-heterônimo, ao contrário dos outros três que possuem data de nascimento e falecimento (exceto Ricardo Reis, que não possui data de morte). Através desses heterônimos, Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre, verdade, existência e identidade. 
"Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje,
que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos
ou quando menos, os seus companheiros de espirito?"
                                                                   Fernando Pessoa

As personalidades de seus heteronimos:
Álvaro de Campo - engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo. 
Podemos notar pelo poema
TABACARIA
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
      
Ricardo Reis - médico que se definia como latinista e manarquico.
Alberto Caeiro - nascido em Lisboa, teria vivido como um camponês, quase sem estudos. Teve apenas o primário, mas é considerado o mestre em os heterônimos. 
Bernardo Soares - dentro da ficção do Livro do Desassossego, um simples ajudante guarda-livros na cidade de Lisboa. 

Sim o poste foi comprido, mas por mais que eu quis enxugar, falar sobre Pessoa e pular alguns detalhes importantes para entende-lo é quase um pecado. E como ele mesmo explica sobre seu semi-heterônimo Bernardo Soares: "Não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade". 

Com amor e carinho ... :***

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Romance LIX ou Da reflexão dos justos (Cecília Meireles)

Boa Tarde amores *-*

Uma pequena poesia...

ROMANCE LIX OU DA REFLEXÃO DOS JUSTOS (de ROMANCEIRO da INCONFIDÊNCIA)

Foi trabalhar para todos...
- e vede o que lhe acontece!
Daqueles a quem servia já nenhum mais o conhece.
Quando a desgraça é profunda,
que amigo se compadece?

Tanta serra cavalgada!
Tanto palude vencido!
Tanta ronda perigosa,
em sertão desconhecido!
- E agora é um simples Alferes
louco - sozinho e perdido.

Talvez chore na masmorra.
Que o chorar não é fraqueza.
Talvez se lembre dos sócios
dessa malograda empresa.
Por eles, principalmente, 
suspirará de tristeza.

Sábios, ilustres, atraentes,
quando tudo era esperança...
E, agora, tão deslembrados
até da sua aliança!
Também a memória sofre,
e o heroísmo também cansa.

Não choram somente os fracos.
O mais destemido e forte,
um dia, também pergunta,
contemplando a humana sorte,
se aqueles por quem morremos merecerão nossa morte.

Foi trabalhar para todos...
Mas, por ele, quem trabalha?
Tombado fica seu corpo,
nessa esquisita batalha.
Suas ações e seu nome,
por onde a glória os espalha?

Ambição gera injustiça.
Injustiça, covardia.
Dos heróis martirizados
nunca se esquece a agonia.
Por horror ao sofrimento,
ao valor se renuncia.

E, á sombra de exemplos graves,
nascem gerações opressas.
Quem se mata em sonho, esforço,
mistério, vigílias, pressas?
Quem confia nos amigo?
Quem acredita em promessas?

Que tempos medonhos chegam,
depois de tão dura prova?
Quem vai saber, no futuro,
o que se aprova ou reprova?
De que alma é que vai ser feita
essa humanidade nova?

Glossário:
alferes: militar que detinha esta posição hierárquica no exército brasileiro, logo abaixo do posto de tenente, na época da Colonia e do Império.
compadece: tem compaixão ou piedade 
deslembrados: esquecidos
destemido: corajoso
machinho: burrinho novo
malograda: frustada, sem o resultado que se esperava
masmorra: prisão
opressas: oprimidas, humilhadas
palude: pântano
rosilho: cor rosa
:**

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Romance XXXI ou De mais tropeiros - Cecilia Meireles

Boa tarde meus amores *-*

Poesia brasileira aqui no blog :)
Cecília Meireles e mais um poema dessa escritora carioca.

ROMANCE XXXI OU DE MAIS TROPEIROS (de ROMANCEIRO da INCONFIDÊNCIA)

Por aqui passava um homem
- E como o povo se ria! -
que reformava este mundo
de cima da montaria.

Tinha um machinho rosilho.
Tinha um machinho castanho.
Dizia: "Não se conhece país tamanho!"

"Do Caeté a Vila Rica,
tudo ouro e cobre!
O que é nosso vão levando...
E o povo aqui sempre pobre!"

Por aqui passava um homem
- e como o povo se ria! -
que não passava de Alferes
de cavalaria!

"Quando eu voltar - afirmava -
outro haverá que comande.
Tudo isto vai levar volta,
e eu serei grande!"

"Faremos a mesma coisa
que fez a América Inglesa!"
E bradava: "Há de ser nossa
tanta riqueza!"

Por aqui passava um homem
- e como povo se ria! -
"Liberdade ainda que tarde"
nos prometia.

E cavalgava o machinho.
E a marcha era tão segura
que uns diziam: "Que coragem!
E outros: "Que loucura!"

Lá se foi por esses montes,
o homem de olhos espantados,
a derramar esperanças
por todos os lados.

Por aqui passava um homem...
- e como o povo se ria! -
Ele, na frente, falava,
e, atrás, a sorte corria...

Dizem que agora foi preso,
não se sabe onde.
(Por umas cartas entregues
ao Vice-Rei e ao Visconde.)

Pois parecia loucura,
mas era mesmo verdade.
Quem pode ser verdadeiro,
sem que desagrade?

Mas ninguém mais se está rindo,
pois talvez ainda aconteça
que ele por aqui não volte,
ou que volte sem cabeça...

(Pobre daquele que sonha
fazer bem - grande ousadia -
quando não passa de Alferes
de cavalaria!)
Por aqui passava um homem...
- e o povo todo se ria.

Até o próximo :*

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Livros digitais

Boa tarde amores *-*

Poste de hoje super brasileiro ...

Nos postes anteriores falei sobre publicação digital, hoje é sobre os livros digitais que eu li.. no total foram 10 ... achei todos muito lindos e são de escritores brasileiros ...


  1. Este é o segundo livro da série Lilac - da qual me apaixonei ... 









2. Romance e conta a história de Emerlly - uma freira que após a morte do pai, vai morar com seu tutor - e descobre que o pecado é seu vizinho .... achei lindo esse romance.









3. É um romance gay e muito bonito ... digamos que, leia e você saberá do que estou falando :p










4. Confesso que esse livro me pegou de surpresa, como não se apaixonar e se emocionar com esse romance, quase chorei com a cena do menininho que tem câncer .... *O* mtoo lindo ... 









5. O que dizer desse livro? -Fiquei triste em com a história de amor que é contada ... Quem leu ou ler, vai saber do que estou falando :)










6. Sim é outro romance gay .... e digamos que gostei bastante da história :)











 
O que dizer desses 3 livros ??? *O* ;.... super que me apaixonei ... virei fã desse escritora NINA REIS - o nosso cenário brasileiro ganhou uma vida tão esplendida nesses livros e o romance descrito neles, eu me apaixonei sem igual ...  Não vou resumir nenhum deles, deixarei vocês na ansiedade para le-los ... como eu disse antes: nós brasileiros somos escritores maravilhosos.

10. Outro livro de Nina Reis, eu particularmente não gosto muito de romance, mas esse livro, me encantou de uma maneira, conta a história da violoncelista Eva, uma mulher mulata e que se supera a cada dia na musica e com o preconceito pela cor de sua pele e Theo, o empreiteiro da flores que se apaixona loucamente por ela, á história de passa em São Paulo, e o amor de ambos, o modo como é descrito o romance, o... enfim .... Me apaixonei, me emocionei e recomendo á todos os leitores....  
Amores esses são os 10 livros digitais que li e que gostei muito, á cada dia o numero de escritores pela Amazon cresce e só de saber que os escritores brasileiros não estão escondidos, me alegre ler suas obras.... 

Escrevo com amor e carinho ...... 
JANAINA SOBRINHO 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O Caçador de Esmeraldas - Olavo Bilac

Boa Noite meus amores *-*
Vamos de poesia hoje?
Sempre fui muito apegada á poesias e essa é uma especial que eu gosto muito !!!
Mas antes, Quem é Olavo Bilac??

OLAVO BILAC - O CARIOCA (1865-1918) FOI UM POETA LIGADO AO PARNASIANISMO, MOVIMENTO LITERÁRIO QUE DAVA MUITA IMPORTÂNCIA Á FORMA POÉTICA E GOSTAVA DE EMPREGAR PALAVRAS DIFÍCEIS E IMAGENS COMPLICADAS. COMO TAMBÉM ERA MUITO PATRIOTA (É AUTOR DA LETRA DO HINO Á BANDEIRA), ACABOU IGUALMENTE SENDO UM DOS FUNDADORES DE NOSSA LITERATURA PARA CRIANÇAS, COM O LIVRO POESIAS INFANTIS. QUERIA DIVULGAR A LEITURA, FAZIA CAMPANHAS PELA ALFABETIZAÇÃO E ESCOLARIZAÇÃO E PELO SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO. 




Bem, agora a poesia de Olavo Bilac

 O Caçador de Esmeraldas (trecho)

 Fernão Dia Paes Leme agoniza. Um lamento
Chora longo, a rolar na longa voz do vento.
Mugem soturnamente as águas. O céu arde.
Trasmonta fulvo o sol. E a natureza assiste,
Na mesma solidão e á agonia da tarde.

Piam perto, na sombra, as aves agoireiras.
Silvam as cobras. Longe, as feras carniceiras
Uivam nas lapas. Desce a noite, como um véu...
Pálido, no palor da luz, o sertanejo
Estorce-se no crebro e derradeiro arquejo.
- Fernão Dias Paes Leme agoniza, e olha o céu.

Oh! esse último olhar ao firmamento! A vida
Em surtos de paixão e febre repartida,
Toda, num só olhar, devorando as estrelas!
Esse olhar, que sai como um beijo da pupila,
- Que as implora, que bebe a sua luz tranquila,
Que morre... e nunca mais, nunca mais há-de vê-las!

Ei-las todas, enchendo o céu, de canto a canto...
Nunca assim se espalhou, resplandecendo tanto,
Tanta constelação pela planície azul!
Nunca Vênus assim fulgiu! Nunca tão perto,
Nunca com tanto amor sobre o sertão deserto
Pairou tremulamente o Cruzeiro do Sul!

Noites de outrora!... Enquanto a bandeira dormia
Exausta, e áspero o vento em derredor zunia,
E a voz do noitibó soava como um agouro,
-Quantas vezes Fernão, do cabeço de um monte,
Via lenta subir do fundo do horizonte
A claro procissão dessas bandeiras de ouro!

Adeus, astros da noite! Adeus, frescas ramagens
Que a aurora desmanchava em perfumes selvagens!
Ninhos cantando no ar! suspensos gineceus
Ressoantes de amor! outonos benfeitores!
Nuvens e aves, adeus! adeus, feras e flores!
Fernão Dias Paes Leme espera a morte... Adeus!

O Sertanista ousado agoniza, sozinho...
Empasta-lhe o suor a barba em desalinho:
E com a roupa de couro em farrapos, deitado
Com a garganta afogada em uivos, ululante,
Entre os troncos da brenha hirsuta, - o Bandeirante
Jaz por terra, á feição de um tronco derribado...

E o delírio começa. A mão, que a febre agita,
Ergue-se, treme no ar, sobe, descamba aflita,
Crispa os dedos, e sonda a terra, e escarva o chão:
Sangra as unhas, revolve as raízes, acerta,
Agarra o saco, e apalpa-o, e contra o peito o aperta,
Como para o enterrar dentro do coração.

Ah! mísero demente! o teu tesouro é falso!
Tu caminhaste em vão, por sete anos, no encalço
De uma nuvem falaz, de um sonho malfazejo!
Enganou-te a ambição! mais pobre que um mendigo,
Agonizas, sem luz, sem amor, sem amigo,
Sem ter quem te conceda a extrema-unção de um beijo!

E foi para morrer de cansaço e de fome,
Sem ter quem, murmurando em lágrimas teu nome,
Te dê uma oração e um punhado de cal,
- Que tantos corações calcaste sob os passos,
E na alma da mulher que te estendia os braços
Sem piedade lançaste um veneno mortal!

E ei-la, a morte! e ei-lo, o fim! A palidez aumenta;
Fernão Dias se esvai, numa síncope lenta...
Mas, agora, um clarão ilumina-lhe a face:
E essa face cavada e magra, que a tortura
Da fome e as privações maceraram, - fulgura,
Como se a asa ideal de um arcanjo a roçasse.


Adoça-se-lhe o olhar, num fulgor indeciso;
Leve, na boca aflante, esvoaça-lhe um sorriso...
- E adelgaça-se o véu das sombras. O luar
Abre no horror da noite uma verde clareira.
Como para abraçar a natureza inteira,
Fernão Dias Paes Leme estira os braços no ar...

Morre! germinarão as sagradas sementes
Das gotas de suor, das lágrimas ardentes!
Hão-de frutificar as fomes e as vigílias!
E um dia, povoada a terra em que te deitas,
Quando, aos beijos do sol, sobrarem as colheitas,
Quando, aos beijos do amor, crescerem as famílias,

Tu cantarás na voz, nas charruas,
No esto da multidão, no tumultuar das ruas,
No clamor do trabalho e nos hinos da paz!
E, subjugando o olvido, através das idades,
Violador de sertões, plantador de cidades,
Dentro do coração da Pátria viverás!"

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Cala-se a estranha voz. Dorme de novo tudo.
Agora, a deslizar pelo arvoredo mudo,
Como um choro de prata algente o luar escorre.
E sereno, feliz, no maternal regaço
Da terra, sob a paz estrelada do espaço,
Fernão Dias Paes Leme os olhos cerra. E morre.

Glossário:

aflante: ofegante
agoireiras: que anunciam desgraças
algente: gélido, frio
arquejo: respiração difícil
brenha: mata espessa
charruas: campos
colmados: feixes
cômoro: monte, duna
crebo: repetido
derredor: em volta, ao redor
espancava: feria 
esto: ruído
estorce-se: contorcer-se
exsurge: levanta, ergue-se
falaz: ilusório, enganoso
fulgiu: brilhou
fulgor: brilho, clarão
fulvo: de cor amarelo escuro
gineceus: órgão feminino das flores, composto pelo ovário, estilete e estigma, que delas se desprendem
hirsuta: de hastes longas, finas e duras 
labor: trabalho
lapas: grutas de pedra
maceraram: machucaram
malfazejo: malfeitor
mugem: batem com força fazendo barulho
noitibó: nome dado a diversas aves de hábitos noturnos
olvido: esquecimento
palor: palidez
pender: inclinação
poisara:pousara
regaço: lugar de repouso ou abrigo
síncope: desmaio
soidão: solidão
trasmonta: desaparece, esconde-se
ululante: que grita de aflição ou de dor

Que esta poesia chegue ao ♥ dos amantes e dos não amantes da poesia brasileira ....
Escrevo com amor !!!!
Até o próximo poste :*

sábado, 2 de janeiro de 2016

Cora Coralina

Boa Tarde amores *-*

Uhuuul primeira postagem do ano .... Antes: desejo á todos os leitores um ótimo 2016!!!!

A postagem de hoje é especial, lendo um livro de uma escritora brasileira (livro digital) vi algumas poesias de Cora Coralina e siim, achei muito lindo a poesia, claro que já tinha ouvido falar nesta poetisa brasileira, mas nunca procurei á fundo e hoje compartilharei com vocês, poetisa brasileira Cora Coralina...


 Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nascida em Goiás, foi uma poetisa e contista brasileira e é considerada uma das mais importantes escritoras brasileira. Seu primeiro livro publicado em junho de 1965 com 76 anos de idade.
 Cora, era uma mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivo do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás. 

Com 14 anos, Cora iniciou escrever seus primeiros textos, publicando-os posteriormente nos jornais da cidade de Goiânia, e em outras cidades. Apesar da pouca escolaridade, uma vez que curou somente as primeiras quatro séries. Cora Coralina começa a frequentar as tertúlias do "Clube Literário Goiano", situado em um dos salões do sobrado de dona Virgínia da Luz Vieira. Que lhe inspira o poema evocativo "Velho Sobrado". Quando começa então a redigir para o jornal literário "A Rosa" (1907). 

Cora, viveu 45 anos em Jaboticabal, onde nasceu seus 6 filhos, mas 2 morreram ao nascer. Em 1924 mudou-se para São Paulo. Em 1930, presenciou á chegada de Getúlio Vargas. 
Com a morte do marido, passou a vender livros. Posteriormente, mudou-se para Penápolis, no interior do estado, onde passou a produzir e vender linguiça caseira e banha de porco. Mudou-se em seguida para Andradina, cidade que atualmente, mantém uma casa da cultura com seu nome, em homenagem. Em 1956, retorna a Goiás.

Ao completar 50 anos, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como "a perda do medo". Nessa fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás.

 Uma pequena biografia dela e agora á algumas de suas poesias ... 

Poeminha Amoroso

Este é um poema de amor 
tão meigo, tão terno, tão teu... 
É uma oferenda aos teus momentos 
de luta e de brisa e de céu... 
E eu, 
quero te servir a poesia 
numa concha azul do mar 
ou numa cesta de flores do campo. 
Talvez tu possas entender o meu amor. 
Mas se isso não acontecer, 
não importa. 
Já está declarado e estampado 
nas linhas e entrelinhas 
deste pequeno poema, 
o verso; 
o tão famoso e inesperado verso que 
te deixará pasmo, surpreso, perplexo... 
eu te amo, perdoa-me, eu te amo...
Cora Coralina


Coração é Terra que Ninguém Vê 

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri. 

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei. 

Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão 

Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração. Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...
Cora Coralina


Assim Eu Vejo a Vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.
Cora Coralina


Poesia me encanta ....



Espero que tenham gostado, assim como eu *-* :*

A Transformação de Raven - Livro

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