terça-feira, 21 de julho de 2015

Gonçalves Dias - biografia

Boa Noite pessoal ....

Focar um pouco na literatura? É sempre muito bom ... mas o melhor é conhecer um pouco mais sobre os poetas brasileiros ... sou amante da literatura tanto nacional quanto internacional, mas poesia brasileira tem sempre um encanto maravilhoso ... Agora estou estudando á italiana e confesso estar me apaixonando á cada dia .... Bom chega de papo, vamos a mais uma biografia brasileira...

MINHA TERRA TEM PALMEIRAS
ONDE CANTAM O SABIÁ 
AS AVES QUE AQUI GORJEIAM 
NÃO GORJEIAM COMO LÁ
[..]

SEMPRE AMEI CANÇÃO DO EXÍLIO DE GONÇALVES DIAS

BIOGRAFIA

Antônio Gonçalves Dias - filho de uma união não oficializado entre um português e uma mestiça.
nascido: 10 de agosto de 1823 em Caxias (MA) 
morreu: 3 de novembro de 1864 (41 anos) em Guimarães (MA) em um naufrágio.

Gonçalves Dias foi: advogado, poeta, jornalista, etnógrafo e teatrólogo brasileiro.
Poeta do romantismo brasileiro, caracterizado no "indianismo" ficou famoso pelo poema - Canção do Exílio - Épico I-Juca-Pirama entre outros poemas nacionalista e patrióticos.

Estudo por um ano com José Joaquim de Abreu, quando trabalhava de caixeiro e a tratar da escrituração da loja se pai. Iniciou os estudos de Latim, Frances e Filosofia quando fora matriculado em uma escola particular. Estudou na Europa e em Portugal e ingressou na Faculdade de Direito em Coimbra. Após, participar de algumas peças medievais, mas por se achar muito fora de sua pátria teve inspiração para escrever Canção do Exílio e partes dos poemas Segundos Contos e o drama Patkull e Beatriz de Cenci, foi rejeitado por seus escritos serem imorais na visão do Conservatório do Brasil. Nesse período escreveu um romance biográfico Memória de Agapito Goiaba, mas ele mesmo o destruiu por conter alusões a pessoas ainda vivas.      

Um ano depois, conheceu seu amor Ana Amélia Ferreira Vale e passou á escrever vários peças românticas para ela. No mesmo ano veio para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como professor de Latim e História além de ter atuado como Jornalista, publicando cronicas, folhetins teatrais e criticas literárias.
Em 1849 junto com dois parceiros, fundou a revista Guanabara, onde divulgava o movimento romântico da época.

Gonçalves Dias pediu Ana em casamento, mas a família dela não aceitou o pedido, pois ele era mestiço. Então no mesmo ano 1852 casamento rejeitado com Ana , casou-se com Olímpia da Costa.
Voltou á Europa 1862 para um tratamento de saúde e não obtendo resultado voltou ao Brasil em 1864 no navio que naufragou na costa brasileira; salvaram-se todos, exceto o poeta que forá esquecido agonizando em seu leito e se afogou.

Manuel Bandeira e Onestaldo de Pennafort gentilmente escrever a nota que segue á baixo:

A poesia 'Ainda uma vez — adeus!', bem como as poesias 'Palinódia' e 'Retratação', foram inspiradas por Ana Amélia Ferreira do Vale, cunhada do Dr. Teófilo Leal, ex-condiscípulo do poeta em Portugal e seu grande amigo.
Gonçalves Dias viu-a pela primeira vez em 1846 no Maranhão. Era uma menina quase, e o poeta, fascinado pela sua beleza e graça juvenil, escreveu para ela as poesias 'Seus olhos' e 'Leviana'. Vindo para o Rio, é possível que essa primeira impressão tenha desaparecido do seu espírito. Mais tarde, porém, em 1851, voltando a São Luís, viu-a de novo, e já então a menina e moça de 46 se fizera mulher, no pleno esplendor da sua beleza desabrochada. O encantamento de outrora se transformou em paixão ardente, e, correspondido com a mesma intensidade de sentimento, o poeta, vencendo a timidez, pediu-a em casamento à família.
A família da linda Don'Ana — como lhe chamavam — tinha o poeta em grande estima e admiração. Mais forte, porém, do que tudo, era naquele tempo no Maranhão o preconceito de raça e casta. E foi em nome desse preconceito que a família recusou o seu consentimento.
Por seu lado, o poeta, colocado diante das duas alternativas: renunciar ao amor ou à amizade, preferiu sacrificar aquela a esta, levado por um excessivo escrúpulo de honradez e lealdade, que revela nos mínimos atos de sua vida. Partiu para Portugal. Renúncia tanto mais dolorosa e difícil por que a moça que estava resolvida a abandonar a casa paterna para fugir com ele, o exprobrou em carta, dura e amargamente, por não ter tido a coragem de passar por cima de tudo e de romper com todos para desposá-la!
E foi em Portugal, tempos depois, que recebeu outro rude golpe: Don'Ana, por capricho e acinte à família, casara-se com um comerciante, homem também de cor como o poeta e nas mesmas condições inferiores de nascimento. A família se opusera tenazmente ao casamento, mas desta vez o pretendente, sem medir considerações para com os parentes da noiva, recorreu à justiça, que lhe deu ganho de causa, por ser maior a moça. Um mês depois falia, partindo com a esposa para Lisboa, onde o casal chegou a passar até privações.
Foi aí, em Lisboa, num jardim público, que certa vez se defrontaram o poeta e a sua amada, ambos abatidos pela dor e pela desilusão de suas vidas, ele cruelmente arrependido de não ter ousado tudo, de ter renunciado àquela que com uma só palavra sua se lhe entregaria para sempre. Desvairado pelo encontro, que lhe reabrira as feridas e agora de modo irreparável, compôs de um jato as estrofes de 'Ainda uma vez — adeus!', as quais, uma vez conhecidas da sua inspiradora, foram por esta copiadas com o seu próprio sangue.

E poemas que ele escreveu á sua amada:
AINDA UMA VEZ - ADEUS!

 I 
Enfim te vejo! - enfim posso, 
Curvado a teus pés, dizer-te, 
Que não cessei de querer-te, 
Pesar de quanto sofri. 
Muito penei! Cruas ânsias, 
Dos teus olhos afastado, 
Houveram-me acabrunhado 
A não lembrar-me de ti! 
    II 
Dum mundo a outro impelido, 
Derramei os meus lamentos 
Nas surdas asas dos ventos, 
Do mar na crespa cerviz! 
Baldão, ludíbrio da sorte 
Em terra estranha, entre gente, 
Que alheios males não sente, 
Nem se condói do infeliz! 
     III 
Louco, aflito, a saciar-me 
D'agravar minha ferida, 
Tomou-me tédio da vida, 
Passos da morte senti; 
Mas quase no passo extremo, 
No último arcar da esperança, 
Tu me vieste à lembrança: 
Quis viver mais e vivi! 
  IV 
Vivi; pois Deus me guardava 
Para este lugar e hora! 
Depois de tanto, senhora, 
Ver-te e falar-te outra vez; 
Rever-me em teu rosto amigo, 
Pensar em quanto hei perdido, 
E este pranto dolorido 
Deixar correr a teus pés. 
  V 
Mas que tens? Não me conheces? 
De mim afastas teu rosto? 
Pois tanto pôde o desgosto 
Transformar o rosto meu? 
Sei a aflição quanto pode, 
Sei quanto ela desfigura, 
E eu não vivi na ventura... 
Olha-me bem, que sou eu! 
   VI 
Nenhuma voz me diriges!... 
Julgas-te acaso ofendida? 
Deste-me amor, e a vida 
Que me darias - bem sei; 
Mas lembrem-te aqueles feros 
Corações, que se meteram 
Entre nós; e se venceram, 
Mal sabes quanto lutei! 
  VII 
Oh! se lutei!... mas devera 
Expor-te em pública praça, 
Como um alvo à populaça, 
Um alvo aos dictérios seus! 
Devera, podia acaso 
Tal sacrifício aceitar-te 
Para no cabo pagar-te, 
Meus dias unindo aos teus? 
   VIII 
Devera, sim; mas pensava, 
Que de mim t'esquecerias, 
Que, sem mim, alegres dias 
T'esperavam; e em favor 
De minhas preces, contava 
Que o bom Deus me aceitaria 
O meu quinhão de alegria 
Pelo teu, quinhão de dor! 
    IX 
Que me enganei, ora o vejo; 
Nadam-te os olhos em pranto, 
Arfa-te o peito, e no entanto 
Nem me podes encarar; 
Erro foi, mas não foi crime, 
Não te esqueci, eu to juro: 
Sacrifiquei meu futuro, 
Vida e glória por te amar! 
    X 
Tudo, tudo; e na miséria 
Dum martírio prolongado, 
Lento, cruel, disfarçado, 
Que eu nem a ti confiei; 
"Ela é feliz (me dizia) 
"Seu descanso é obra minha." 
Negou-me a sorte mesquinha... 
Perdoa, que me enganei! 
    XI 
Tantos encantos me tinham, 
Tanta ilusão me afagava 
De noite, quando acordava, 
De dia em sonhos talvez! 
Tudo isso agora onde pára? 
Onde a ilusão dos meus sonhos? 
Tantos projetos risonhos, 
Tudo esse engano desfez! 
    XII 
Enganei-me!... - Horrendo caos 
Nessas palavras se encerra, 
Quando do engano, quem erra. 
Não pode voltar atrás! 
Amarga irrisão! reflete: 
Quando eu gozar-te pudera, 
Mártir quis ser, cuidei qu'era... 
E um louco fui, nada mais! 
    XIII 
Louco, julguei adornar-me 
Com palmas d'alta virtude! 
Que tinha eu bronco e rude 
C'o que se chama ideal? 
O meu eras tu, não outro; 
Stava em deixar minha vida 
Correr por ti conduzida, 
Pura, na ausência do mal. 
      XIV 
Pensar eu que o teu destino 
Ligado ao meu, outro fora, 
Pensar que te vejo agora, 
Por culpa minha, infeliz; 
Pensar que a tua ventura 
Deus ab eterno a fizera, 
No meu caminho a pusera... 
E eu! eu fui que a não quis! 
    XV 
És doutro agora, e pr'a sempre! 
Eu a mísero desterro 
Volto, chorando o meu erro, 
Quase descrendo dos céus! 
Dói-te de mim, pois me encontras 
Em tanta miséria posto, 
Que a expressão deste desgosto 
Será um crime ante Deus!
     XVI 
Dói-te de mim, que t'imploro 
Perdão, a teus pés curvado; 
Perdão!... de não ter ousado 
Viver contente e feliz! 
Perdão da minha miséria, 
Da dor que me rala o peito, 
E se do mal que te hei feito, 
Também do mal que me fiz! 
       XVII 
Adeus qu'eu parto, senhora; 
Negou-me o fado inimigo 
Passar a vida contigo, 
Ter sepultura entre os meus; 
Negou-me nesta hora extrema, 
Por extrema despedida, 
Ouvir-te a voz comovida 
Soluçar um breve Adeus! 
        XVIII 
Lerás porém algum dia 
Meus versos d'alma arrancados, 
D'amargo pranto banhados, 
Com sangue escritos; - e então 
Confio que te comovas, 
Que a minha dor te apiade 
Que chores, não de saudade, 
Nem de amor, - de compaixão.

SENTIMENTOS EM PALAVRAS .... 
QUE ALMA AFLITA PELO AMOR 
SINCERIDADE PARA COM SUA AMADA....
BELO :')


E O POEMA INTEIRO 
CANÇÃO DO EXÍLIO


Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá.


Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores.


Em  cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer eu encontro lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.


Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar sozinho, à noite 
Mais prazer eu encontro lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.


Não permita Deus que eu morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que disfrute os primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu'inda aviste as palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.  
 

De Primeiros cantos (1847)

QUANDO ESTUDANTE, EU AMAVA D+ OS POEMAS DE GONÇALVES DIAS, AINDA AMO, POIS TEM UM SENTIMENTO ESPLENDIDO
MAS ESSES DOIS ME CATIVAVA MAIS ... BELO SÓ TENHO A DIZER. 

POSTE DE HOJE É SUPER HIPER MEGA ESPECIAL
ESPERO QUE APRECIEM ASSIM COMO EU
:* :*

Fonte: Google e outros sites....

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