sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Fernando Pessoa

Booa noite amores *-*
Aah! Faz um tempinho que não posto mais nada de escritores ....
E o nosso poeta de hoje .... Uma breve biografia ....

Fernando Antonio Nogueira Pessoa nascido em Lisboa - foi um poeta, escritor, tradutor português, critico e astrólogo.

"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus".
                                                                         Alberto Caeiro 
Pessoa, por ter sido educado na Africa do Sul, numa escola irlandesa, chegou a ter mais familiaridade com o inglês do que com o português, ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma.
 Enquanto poeta, escreveu sobre múltiplas personalidade - heterônimos - como Ricardo Dias, Alvaro de Campos e Alberto Caeiro. Pessoa, inventava poetas inteiros.

 Sua infância foi marcada por perdas, aos cinco anos perdeu o pai com tuberculosa e no ano seguinte o irmão, logo sua mãe foi obrigada a leiloar a mobília e muda-se para uma casa modesta. E nesse período de perdas que Fernando demonstra seu primeiro heterônimo, Chevalier de Pas, nesse mesmo ano escreve seu primeiro poema, logo sua mãe se casa novamente e eles mudam para Africa do Sul, onde passa a maior parte da juventude e recebe educação inglesa. E desde cedo, ele vinha demonstrando seu talento pela literatura.

 Em 1901 é aprovado no primeiro exame escolar e escreve seu primeiro poema em inglês. No mesmo ano sua irmã de anos morre. E no mesmo ano partem de volta á Lisboa, para um ano de férias. E na capital portuguesa nasce o quarto filho do segundo casamento de sua mãe e nessa época escreve o poemas: 
Quando ela passa
Quando eu me sento à janela
P'los vidros qu'a neve embaça
Vejo a doce imagem d'elia
Quando passa... passa.... passa...

N'esta escuridão tristonha
Duma travessa sombria
Quando aparece risonha
Brilha mais qu'a luz do dia.


                                                                                                                                                                       Quando está noite ceifada
E contemplo imagem sua
Que rompe a treva fechada
Como um reflexo da lua,

Penso ver o seu semblante
Com funda melancolia
Qu'o lábio embriagante
Não conheceu a alegria

E vejo curvado à dor
Todo o seu primeiro encanto
Comunica-mo o palor
As faces, aos olhos pranto.

Todos os dias passava
Por aquela estreita rua
E o palor que m'aterrava
Cada vez mais s'acentua

Um dia já não passou
O outro também já não
A sua ausência cavou
Ferida no meu coração

Na manhã do outro dia
Com o olhar amortecido
Fúnebre cortejo via
E o coração dolorido

Lançou-me em pesar profundo
Lançou-me a mágoa seu véu:
Menos um ser n'este mundo

E mais um anjo no céu.
Depois o carro funério
Esse carro d'amargura
Entrou lá no cemitério
Eis ali a sepultura:

Epitáfio.

Cristãos! Aqui jaz no pó da sepultura
Uma jovem filha da melancolia
O seu viver foi repleto d'amargura
Seu rir foi pranto, dor sua alegria.

Quando eu me sento à janela
P'los vidros qu'a neve embaça
Julgo ver imagem dela
Que já não passa... não passa.
(Liiiindaaaa) *o*

Tendo que dividir a atenção da mãe com os filhos do segundo casamento e o padrasto, Pessoa, se isola, proporcionando assim momentos de reflexão.
 Em 1905, regressa definitivamente á Lisboa deixando a mãe, padrastos e irmãos em Durban. Dois anos mais tarde, sua avó com quem morava, morre deixando-lhe uma pequena herança e ele monta uma pequena tipografia. 
 Em 1915 participou da revista literária Orpheu, essa revista lançou apenas dois de seus poemas, na qual Pessoa publicou como Alvaro de Campo e no segundo volume Mario de Sá-Carneiro. 
 Em 1935, Pessoa morreu, aos 47 anos com cirrose hepática.

 OBS: Antes de terminar o poste, falando sobre o legados que Pessoa deixou, uma breve observação, na sexta-feira de carnaval, lembro que liguei a TV no canal cultura e justamente naquele horário ia iniciar um programa de literatura e o assunto era Fernando Pessoa e a professora da USP ou UNESP (não me recordo), estava explicando sobre a vida dele, eu sempre o admirei, admirei suas poesias e o que minha professora falava, foi dito: para você entender os poemas de Pessoa, você tem que conhecer um pouco da vida dele, muitos de seus poemas fala sobre Portugal, o poema acima Quando Ela Passa, se ler sobre á morte de sua irmã, entenderá do que o poema se trata ... Fico até sem palavras ... Mas é perfeito, belo e maravilhoso suas poesias. 
 Minha professora, costumava dizer que eu escrevia como Fernando Pessoas, com sentimentos, com a alma, conhecendo-me você saberia o significado de cada palavra em meus poemas, claro, um elogio para minha pessoa, não falarei que escrevo como ele, pois cada escritor tem seu jeito de escrever, eu sou apenas uma admiradora desse magnifico escritor.... 

 Agora para seu Legado :)))

 Pode se dizer que a vida do poeta foi dedicada e a criar, criou outras vidas através dos seus heterônimos. Alguns críticos questionam se Pessoa realmente teria transparecido seu verdadeiro eu, ou se tudo não passou de um produto. O poeta e crítico brasileiro descreve Pessoa como o enigma em pessoa. Escreveu sempre, desdo os sete anos até seu leito de morte. Importava-se com a intelectualidade do homem, e pode-se dizer que sua vida foi uma constante divulgação da língua portuguesa, como nas palavras de seu heterônimo Bernardo Soares: 

 A minha pátria é a língua portuguesa:
Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palacio..." E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes - tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é - não - a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d'aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m'a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

Pessoa se interessava pelo Ocultismo e Misticismo. 
"o poeta é um fingidor
finge tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente".
                                               Fernando Pessoa

Seus heterônimos são admiráveis, dentre os três o quarto Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego, por ter uma semelhança com Fernando e não possuir uma personalidade muito característica, então Bernardo é um semi-heterônimo, ao contrário dos outros três que possuem data de nascimento e falecimento (exceto Ricardo Reis, que não possui data de morte). Através desses heterônimos, Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre, verdade, existência e identidade. 
"Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje,
que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos
ou quando menos, os seus companheiros de espirito?"
                                                                   Fernando Pessoa

As personalidades de seus heteronimos:
Álvaro de Campo - engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo. 
Podemos notar pelo poema
TABACARIA
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
      
Ricardo Reis - médico que se definia como latinista e manarquico.
Alberto Caeiro - nascido em Lisboa, teria vivido como um camponês, quase sem estudos. Teve apenas o primário, mas é considerado o mestre em os heterônimos. 
Bernardo Soares - dentro da ficção do Livro do Desassossego, um simples ajudante guarda-livros na cidade de Lisboa. 

Sim o poste foi comprido, mas por mais que eu quis enxugar, falar sobre Pessoa e pular alguns detalhes importantes para entende-lo é quase um pecado. E como ele mesmo explica sobre seu semi-heterônimo Bernardo Soares: "Não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade". 

Com amor e carinho ... :***

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você fosse minha - Bella Andre

Boa tarde leitores! Estou em suspiros por esse final de livro *-* Muito lindo e só para esclarecer, são oito livros contando o romance dos ...